fevereiro 2008
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Orgulho de ser português
Amar Portugal, é acima de tudo
defender seus direitos e sua identidade... Sempre fomos um povo determinado,
assim devemos continuar. Manter cabeça erguida, nunca esquecendo que temos
quase 900 anos de história e que fomos o único povo da Península Ibérica que
Castella não conseguiu manter cativo... Para manter viva nossa dignidade
devemos lutar diplomaticamente pela parcela de Portugal que Espanha teima em
manter cativa:
OLIVENÇA |
fevereiro 05, 2008 |
Olivença Espezinhada
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Olivença
Espezinhada
por Carlos Consiglieri*
ALAMEDA DIGITAL
Nº 10, Novembro/Dezembro de 2007
(Publicado
originalmente no Jornal de Coruche) |
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1. Foi preciso chegar aos dias de hoje para se
verificar (se assim pudemos afirmar) que em Olivença, apareceram vozes,
por ora, ainda, pouco assumidas a defender ideias de autonomia, dentro
do quadro legal permitido em Espanha.
A verdade é que Portugal
(entenda-se por Governo português) não contribuiu, de forma muito
visível, para a criação de posições reivindicativas do território ao
longo destes dois séculos.
Sabemos que o deveria ter
feito, face às responsabilidades nacionais e que ocasiões não faltaram
para tal.
Nas ausências de tomadas de
posição não podemos lamentar que se esbocem, agora, no seio da sociedade
oliventina, movimentações no sentido autonómico quando a Espanha revela
sinais de desagregação política.
Não temos dúvidas que o
aparecimento destes sintomas (que se revelarão incómodos para ambos os
Governos) resultam do lento processo que fervilha em sectores da
população oliventina em resultado das contradições políticas,
económicas, sociais e culturais, com maior evidência entre as camadas
jovens.
Estas, perante a falta de
perspectivas locais (em relação as regionais e nacionais) desejam dar um
passo em fiente, perante as dificuldades e os bloqueamentos que os
isolam no contexto geral. Verificam, que aquele tipo de democracia pouco
mais lhe dá que a liberdade em abstracto, que apesar de parecer um dom
precioso, não lhes chegam dentro dos conceitos neo-liberais impostos.
Desejam mudanças do sistema, com novas e actuais oportunidades de
participação na sociedade. O desemprego, evidencia o carácter
desarmonioso do tipo de crescimento que a Espanha tem, com a agravante
que todos os aspectos negativos do tipo de desenvolvimento, se reflectem
de forma mais negativa, como mal revelam os “números” e os índices
“embastelados” nos da denominada Comarca de Olivença – unidade
territorial administrativa que integra vários “concelhos” da Extremadura.
Talvez, possamos interpretar
estas atitudes autonómicas como uma “fuga para a frente”, com dois
sentidos: mostrar descontentamento às autoridades centrais e regionais
de Espanha; ou recordar o passado (que eles não conhecem bem) como
ameaça ou como pronúncia de algo cujo sucesso não alcançamos neste
momento.
Também sabem que do lado de cá,
não poderão contar quase com nada, para além de algum companheirismo e
esperança fraterna, pois o Governo de Portugal está enleado numa teia de
compromissos e de dependências económicas que entravam a lucidez e as
vontades de se encetar seja o que for de aproximação com Olivença e o
seu povo.
Convirá, porém, reflectirmos um
pouco sobre estas ideias “autonómicas” que parecem a muitos caídas de
repente dos céus. Tanto quanto se consegue saber outras ideias estão a
surgir, em simultâneo, a militantes de duas estruturas políticas locais
– de oposição ao partido que tem gerido o território. É necessário dizer
que estamos em cima de eleições autárquicas.
Muitos daqueles que ainda
“arranham” o português alentejano, por tradição familiar, com apelidos
ou alcunhas bem nossos, apesar da aculturação forçada, estão
desiludidos, diríamos mesmo amargamente desiludidos. Como reagirão
perante este “rebuçado” autonómico? É uma incógnita que convém
acompanhar.
Há sinais visíveis que pelo
menos estas duas forças políticas estão a movimentar-se e a seguir o
exemplo do actual presidente de Câmara que tem vindo a Lisboa para se
incorporar no desfile do 25 de Abril.<
Voltaremos nós mais uma vez, a
encolher os ombros e a pensar que “essas coisas” nada têm a ver
connosco?
A questão de Olivença não
deixou, ainda, de ser uma causa transversal na nossa sociedade e na
nossa consciência nacional, apesar de ser assumida por minorias de
várias ideologias. O exemplo de TIMOR poderá ser evocado.
É que se trata de defender a
nossa honra, o nosso património cultural (algum dele defendido pela
legislação portuguesa), a língua e as nossas tradições e, ir assim ao
encontro do que muitos oliventinos pensam.
2. Há dois séculos que Olivença
é espezinhada e Portugal também. Há quem afirme que é tempo suficiente
para abandonarmos esta causa. Se houvesse espanhóis que fizessem o mesmo
em relação a Gibraltar, muitas vozes se levantariam no país vizinho – e,
quanto a nós com razão, pois apenas passaram três séculos sobre a
cedência do rochedo mediterrânico.
Não queremos aqui discutir
questões que não nos dizem respeito, mas se a evocamos é para
acrescentar a flagrante incoerência de Espanha – num caso diz sim,
noutro diz não!
E Olivença está espezinhada
porquê?
Vejamos. Se em 1801, Olivença
era tão importante como Badajoz, um século depois registava menos
residentes que à data da ocupação. E, ainda, hoje a população revela
índices de crescimento tão lentos que, praticamente, se mantém, em
termos absolutos, no mesmo patamar demográfico.
Grande parte da fuga da
população para os concelhos limítrofes do Alentejo, no século XIX, está
na explicação desta estagnação. Porém, no século XX, registou-se outra
fuga em massa, devido à guerra civil e à miséria que assolou a
“Província” em que inseriram administrativamente Olivença, o que forçou
a uma forte corrente de imigração.
Muitos oliventinos, nessas
ocasiões, optaram pelos concelhos limítrofes, particularmente, Vila
Viçosa e Elvas, enquanto outros imigraram para a Catalunha e Madrid,
ocultando, em muitos casos, a sua naturalidade.
Mas, o abandono no século XIX,
não se deu só por parte dos trabalhadores rurais, mas também dos
proprietários da terra, sobre os quais foram desencadeadas ameaças e
pressões de toda a ordem.
Bastará ler uma história da
Estremadura para conhecermos as violências cometidas pelas Leis de
Desamortização, os roubos e as pilhagens da propriedade – a apropriação
dos baldios, dos bens da Coroa e da Casa do Cadaval, da Misericórdia e a
ocupação das quintas das famílias seculares, bem como dos bens dos
burgueses que através do comércio começavam a desenvolver a Vila de
Olivença.
A par da pilhagem económica,
assistia-se a proibição do português como língua e as escolas – públicas
e privadas - foram encerradas. A campanha contra a língua portuguesa
chega a utilizar exemplos de profundo racismo – “a língua portuguesa é
falares de preto”! A Igreja, sob a orientação do Bispo de Badajoz,
assume a repressão proibindo o português nos actos religiosos. Também o
ensino de história de Espanha irá provocar o desconhecimento de todo o
passado oliventino, a par da falsificação de dados históricos, como hoje
é corrente e premeditado.
E a repressão sobre a
identidade? Com a destruição de Cartórios e Arquivos, verificou-se a
adulteração de nomes e apelidos portugueses. Hoje há nomes
irreconhecíveis, que não são nem portugueses nem espanhóis.
E quanto a memória colectiva? A
toponímia foi modificada, os epitáfios do Cemitério de Olivença foram
ultrajados, grande parte da heráldica destruída.
Quem tenha dúvidas –
investigue. Vá e veja. Indague como se processou a repressão e quantos
enforcamentos houve em Olivença a culminar a diversas formas de
violência.
Tudo foi feito para amordaçar a
consciência, espezinhando-se a liberdade e a memória do povo oliventino.
Atentemos num exemplo. Quando
se aguardava que Franco cumprisse a palavra dada a Salazar, Olivença
içou a bandeira portuguesa no alto da Torre de Menagem. O incumprimento
do “trato” levou ao fuzilamento de “uns tantos” oliventinos ...
3. “Olivença é um caso que se
resolve no próximo ano” – disse Aznar em Lisboa, aos órgãos de
comunicação social portuguesa.
Foi com este cinismo político
que o antigo primeiro-ministro de Espanha respondeu. Mas, do lado de cá,
o cinismo é maior porque nem respostas ambíguas ouvimos.
De facto, o Tratado de Badajoz
de 1801, que concedia o território a Espanha foi denunciado (declarado
“nulo e de nenhum vigor”), pelo Manifesto de 1 de Maio de 1808. Por este
acto legislativo, jamais revogado e, ainda, legalmente em vigor, a
assunção da nossa soberania sobre o território passou a constituir
Direito interno, enquanto tal, vinculativo.
O que, no devir histórico,
encontrou sempre consagração nas constituições portuguesas, (na de 1911)
e nomeadamente na actual que, absolutamente, atendeu a essa assunção,
indicando que “Portugal abrange o território historicamente definido no
continente europeu” – art.º 5.º - n.º 1, aspecto assinalado por vários
dos nossos constitucionalistas: Jorge Miranda, Gomes Canotilho e Vital
Moreira.
Proclama-se, ainda, que “O
Estado não aliena qualquer parte do território português” (art.º 5.º -
n.º 3) e estabelece-se que é “tarefa fundamental do Estado garantir a
independência nacional” ( art.º 9), e “assegurar a defesa nacional” bem
como, “a integridade do território” ( art.º 273).
Então em que ficamos? A quem
cabe defender a Constituição? Ao Chefe de Estado? Aos que governam? Ou
àqueles que os elegeram para nos representar?
______________________
* Economista e Professor
Universitário
NR: Consultados alguns
historiadores especialistas nos anos 30, não nos foi possível encontrar
a mínima evidência da combinação de Salazar com Franco sobre Olivença,
citada neste excelente artigo do Prof. Consiglieri. O Autor afirma ter
recorrido às Memórias de Freitas do Amaral como fonte do facto.
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Olivença publicou ás
11:28 AM
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janeiro 27, 2008 |
Carta Aberta ao Senhor Primeiro Ministro
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Carta Aberta ao
Senhor Primeiro Ministro |
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O Governo Português tem o dever de lutar pela devolução a Portugal de
Olivença e seu termo. Vila que está em poder de Espanha desde 1801 ,
ilegalmente, em violação do Direito Internacional, sendo parte
integrante do Território Nacional Português, desde sempre.
José Sócrates, enquanto PM , Cavaco Silva enquanto PR e Jaime Gama,
enquanto Presidente da AR têm o dever , constitucional, de tudo fazer
para que Espanha devolva Olivença e seu termo, terra portuguesa desde
sempre e sobretudo desde o Tratado de Alcanizes.
O Governo Português baixa-se ao Governo Espanhol. O Governo Português
não tem a coragem necessária para exigir de Espanha a devolução de
Olivença, que os espanhóis se comprometeram a devolver, desde 1817, e
até antes desde 1812 , nas Cortes de Cadiz.
Esta situação é insustentável. A capitulação perante Espanha é
vergonhosa para nós portugueses.
O Governo Português não só nada faz para que seja devolvida Olivença ,
como age de modo a impedir a visibilidade de qualquer manifestação que
exija o cumprimento da lei internacional.
Aconteceu agora por altura da Cimeira Ibérica em Braga. O Governo mandou
a PSP e a GNR impedir que o Grupo Amigos de Olivença mostrasse faixas e
cartazes a exigir a devolução de Olivença. Inadmissível!
O Governo de Zapatero não se cansa de exigir do Reino Unido a devolução
a Espanha de Gibraltar, perdido para os ingleses em 1714. Por isso
decidi enviar ao Primeiro Ministro uma carta aberta que público de
imediato.
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Exmº Senhor
Primeiro Ministro
Excelência
Na qualidade de cidadão português e com a legitimidade
acrescida que me confere o facto de ter servido o meu País
no Regimento de Cavalaria de Estremoz, com o lema "Dragões
de Olivença", venho manifestar a minha perplexidade pelo
comportamento do seu Governo ,na chamada "Questão de
Olivença".
Acredito que V. Exª nem tenha bem a noção do que é ser
militar e jurar bandeira, porque nunca cumpriu serviço
militar, mas a reserva da Nação está nos que foram
militares.
Espanta-me que o Governo Português não tenha a coragem
necessária para exigir de Espanha a devolução de Olivença,
território português na posse , ilegal, do Reino Espanhol,
pelo menos desde 1815.
Alarma-me a falta de vontade, de força política, de arrojo,
do seu Governo, necessários para enfrentar Espanha e
obrigá-la a devolver a Vila de Olivença e seu termo,
territórios portugueses, anexados a Espanha de forma ilegal,
violenta, e que fazem parte integrante do nosso Portugal.
Por isso não posso deixar de censurar, como cidadão, como
ex-militar, que o seu Governo tenha impedido os
manifestantes do Grupo Amigos de Olivença de mostrar as
faixas, os cartazes que portavam, aquando da última Cimeira
Ibérica.
V. Exª mandou a PSP afastar os manifestantes para um raio de
5 km de distância.
V. Exª mandou a GNR afastar os manifestantes para um raio de
5 km do Mosteiro de Tibães. Impedindo a visibilidade público
do protesto.
Creio que sabe perfeitamente que essa manifestação de
fraqueza do seu Governo só beneficia Espanha, que se ri do
medo do Governo Português, que em boa verdade nem quer ouvir
falar de Olivença.
Saberá V. Exª que a História só honrou os corajosos, os que
sabem quais são os grandes desígnios nacionais.
O que mais de preocupa, que me causa estupefacção , é que V.
Exª não pode desconhecer que o seu "grande amigo" Zapatero
não tem o mínimo receio de exigir do Reino Unido a devolução
do rochedo de Gibraltar.
E que logo que eleito foi a Londres com Gibraltar na agenda.
Mas V. Exº não o faz em relação a Olivença.
Para mim, e digo-o com toda a frontalidade, seria bom que V.
Exª tivesse 1/10 da coragem de Zapatero, na defesa dos
interesses nacionais.
Mas parece que o seu Governo tem medo, receio, temor,
reverencial em relação a Espanha.
No entanto, Senhor Primeiro Ministro, eu na qualidade de
cidadão português exijo-lhe que pressione Espanha para
devolver a Portugal Olivença e seu termo.
E assinalo-lhe que é seu dever fazê-lo, dever
constitucional, e que se o não fizer que eu recorrerei ÀS
INSTÂNCIAS INTERNACIONAIS PARA DENUNCIAR A CONDUTA DO
GOVERNO PORTUGUÊS.
Desde a CE, passando pelos EUA, pela China, pelos PALOPS,
tudo farei para denunciar a fraqueza inexplicável do Governo
Português face a Espanha.
V. Exª é apenas mais um Primeiro Ministro, que um destes
dias nem será lembrado, mas Portugal é perene viverá para
sempre e está acima de todos nós.
Apresento a V. Exª os
meus cumprimentos.
José Maria de Jesus Martins
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Olivença publicou ás
10:23 AM
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janeiro 23, 2008 |
Incrível! Inqualificável!
Incrível!
Inqualificável!
No telejornal das 20 horas de hoje, sábado, 19 de Janeiro de 2008, o chefe do Governo, José Sócrates,
respondendo à pergunta de um jornalista sobre se na cimeira luso-espanhola fora
discutida a questão de Olivença, disse: “Isso é folclore”.
Este homem não revelou sentido de Estado. Nem está a defender a dignidade de
Portugal.
Enquanto o governo espanhol não perde oportunidades de reivindicar a posse do
rochedo de Gibraltar actualmente sob soberania do Reino Unido e o Reino de
Marrocos persistentemente reclama da Espanha a devolução de Ceuta e Mellila, os
governantes portugueses demitem-se do dever patriótico de exigirem da Espanha o
retorno de Olivença ao seio da pátria portuguesa.
Infelizmente a atitude de cobardia face à Espanha tem sido constante. Desde
governos monárquicos, passando pelos governantes da primeira república, governos
de Salazar, até aos executivos que se sucederam desde 25 de Abril de 1974, todos
se têm curvado, subservientes, perante os governantes espanhóis. É uma vergonha
nacional. Uma desonra do Estado de Portugal.
Teria sido por esta cobardia dos dirigentes políticos nacionais que o
generalíssimo Francisco Franco nutria um soberano desprezo pelos portugueses e
que, mesmo na hora da morte, ousou classificar-nos de gente cobarde?
Quanto aos actuais governantes comprazem-se em se confessarem amigos dos seus
homólogos espanhóis e se assumirem como simpatizantes do Iberismo.
Esta é uma situação de renúncia, de servilismo e desonra que nos deixa
envergonhados perante nós mesmo e os outros povos.
Uma infelicidade que resulta de estarmos mergulhados na “austera, apagada e vil
tristeza”, citada pelo imortal poeta maior da nossa mui querida Língua.
Brasilino Godinho
extraído de:
A Quinta Lusitana |
Olivença publicou ás
09:07 AM
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janeiro 19, 2008 |
SÓCRATES E OLIVENÇA
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SÓCRATES E OLIVENÇA
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Há jornalistas que nos fazem continuar a acreditar que a liberdade de opinião teima em resistir.
Assim sucedeu no final da XXIII Cimeira Ibérica de Braga, no dia 19 de Janeiro de 2008. Um jornalista da RTP teve a coragem de perguntar ao Primeiro Ministro José Sócrates o que pensava da presença, uma vez mais, de gente a questionar o problema de Olivença. Visivelmente surpreendido, o estadista português disse que tal presença se inseria no folclore habitual de tais eventos... esquecendo-se de referir que os "Amigos de Olivença" foram impedidos de exibir uma faixa ("Olivença é Terra Portuguesa"), salvo se a cinco (!!!) quilómetros de distância, sob ameaça de prisão. O Jornalista insistiu, referindo que talvez fosse tempo de abordar a questão em tais cimeiras. Sócrates repetiu-lhe que tal "situação" se verificava há quinze anos, e que, tal como sempre os vários primeiros-ministros o faziam, considerava tal um folclore. O profissional da Informação reformulou inteligentemente a pergunta, inquirido se, afinal, o problema de Olivença estivera ou não na agenda. O Primeiro-Ministro disse simplesmente que não.
Não chegou, pois, ao extremo de dizer que o problema não existia, o que constituiria algo grave, dada a existência de documentos do Ministério dos Negócios Estrangeiros, com menos de dois meses, em que é afirmado claramente que Portugal nada fará que ponha em causa os Direitos de Portugal sobre a Região de Olivença. Talvez Sócrates se tenha lembrado que as águas do Alqueva são quase exclusivamente portuguesas por causa de Portugal manter esta posição. Compreende-se que, em nome do politicamente correcto, se evitem abrir feridas, de parte a parte, nestas cimeiras, embora seja muito discutível a sua real utilidade partindo destes pressupostos. Compreende-se que se façam concessões... e viu-se a rapidez com que o Governo Português prometeu mudar legislação para que os médicos espanhóis não vissem os seus carros multados em Portugal. Parece que nestas cimeiras há um estado que não deixa passar "nada em claro"(e faz muito bem !)e não adia problemas. Critérios, enfim!
É muito lamentável, todavia, a classificação de "folclore" para tais manifestações. Por um lado, faz recordar o episódio do barco português enviado a Timor com Ramalho Eanes como passageiro, que foi barrado por navios indonésios e classificado como "folclórico" por Jacarta. Sócrates, aqui, não foi feliz. Por outro lado, levanta algumas questões práticas: considerará Sócrates "folclóricas" as habituais contestações espanholas à presença britânica em Gibraltar? Ou insinuará que os "manifestantes por Olivença" deverão mostrar-se com trajes folclóricos oliventinos (alentejanos)? Talvez assim as autoridades não os impeçam de exibir uma faixa.
Devo a José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa respeito enquanto Primeiro-Ministro do meu País. Mas não sou obrigado a concordar com ele. E lamento que, falando em nome do País, produza tão infelizes adjectivações..
Estremoz, 19 de Janeiro de 2008 Carlos Eduardo da Cruz Luna
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Olivença publicou ás
10:53 PM
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janeiro 17, 2008 |
XXIII Cimeira Luso-Espanhola
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Grupo dos Amigos de Olivença
www.olivenca.org
Nota Informativa
XXIII Cimeira Luso-Espanhola
Uma Delegação do Grupo dos Amigos de Olivença estará presente em Braga, no local onde vai ter
lugar a XXIII Cimeira Luso-Espanhola (Mosteiro de Tibães), em
18-01-2008, lembrando a situação litigiosa do território.
Ao encontrarem-se o Presidente do Governo de Espanha e o
Primeiro-ministro de Portugal, a Direcção do Grupo dos Amigos de
Olivença dirigiu a cada uma daquelas personalidades uma carta onde
assinala, em síntese, o seguinte:
A Questão de Olivença, inquestionavelmente presente na realidade
política luso-espanhola, continua por resolver, uma vez que Portugal
não reconhece a soberania de Espanha sobre o território e considera
o mesmo, de jure, português.
O litígio à volta da soberania de Olivença, factor, pela sua
natureza, de desconfiança e reserva entre os dois Estados, tem sido
a causa de muitos dos atritos e dificuldades verificados em áreas
relevantes da política bilateral.
Porque uma política de boa vizinhança entre os dois Estados não pode
ser construída sobre equívocos e ressentimentos, sendo escusada,
inadmissível e insustentável a tentativa de esconder a existência
política da Questão de Olivença e os prejuízos que traz ao
relacionamento peninsular, impõe-se que a mesma seja inscrita - com
natural frontalidade e sem subterfúgios - na agenda diplomática
luso-espanhola.
As circunstâncias actuais, integrando Portugal e Espanha os mesmos
espaços políticos, económicos e militares, com salutar aproximação e
colaboração em vastas áreas, são propícias a que ambos os Estados
assumam que é chegado o momento de discutir, de forma adequada, a
Questão de Olivença e de dar cumprimento à legalidade e ao Direito
Internacional.
O Grupo dos Amigos de Olivença, com a legitimidade que lhe conferem
70 anos de esforços pela retrocessão do território, lança o desafio
aos Governantes dos dois Estados para que, no respeito pela
História, pela Cultura e pelo Direito, dêem início a conversações
que conduzam à solução justa do litígio.
O Grupo dos Amigos de Olivença apela ao Governo de Portugal para que
leve por diante a sustentação dos direitos de Portugal e aguarda do
Governo de Espanha que reconheça a ilegitimidade da sua presença nas
terras oliventinas.
OLIVENÇA É TERRA PORTUGUESA!
VIVA OLIVENÇA PORTUGUESA!
Lx., 17-01-08. SI/Grupo dos Amigos de Olivença
Rua Portas S. Antão, 58 (Casa do Alentejo), 1150-268 Lisboa
www.olivenca.org -
olivenca@olivenca.org Tlm. 96 743 17 69 - Fax. 21 259 05 77
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Olivença publicou ás
06:18 PM
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janeiro 14, 2008 |
Tempos conturbados
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Tempos conturbados
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A tensão entre consensualistas e absolutistas
No período pós-pombalista da viradeira de D. Maria I, iniciado em 1777,
ainda vivíamos a tensão interna entre os absolutistas, saudosos do
modelo de Sebastião José de Carvalho e Melo, como o defendia Pascoal
José Melo Freire, e os consensualistas, próximos do tradicionalismo,
representados por António Ribeiro dos Santos, na linha dos juristas da
Restauração (de 1640). As duas linhas tiveram, aliás, uma célebre
polémica, em 1783, a propósito da elaboração de um Novo Código, com os
primeiros a assumirem a necessidade de uma monarquia pura e de um rei
sem alcunha e os segundos a defenderem a necessidade das leis
fundamentais como limite do poder régio, com o regresso à convocação das
cortes.
Uma tensão semelhante à que se estabeleceu logo a seguir a 1640, com
Sebastião César de Meneses a aproximar-se do absolutismo e Francisco
Velasco Gouveia a pugnar pelo consensualismo.
A viradeira começou depois da morte de D. José I, ocorrida a 24 de
Fevereiro de 1777. Apenas dois ministros de Pombal permaneceram no
governo de D. Maria I: Martinho de Melo e Castro, ministro da marinha
desde 1770, e Aires de Sá e Melo, Ministro dos Negócios Estrangeiros e
da Guerra.
O primeiro, que tinha sido embaixador em Madrid (1764-75), era
partidário de uma aproximação com Espanha. O segundo advogava também uma
aproximação a Espanha e uma mais intensa relação com a França, a fim de
quebrar a forte influência britânica em Lisboa.
Este último morreu em Maio de 1786, sendo substituído interinamente por
Melo e Castro e, depois, pelo visconde de Vila Nova de Cerveira.
Em 1785, o príncipe D. João casou com D. Carlota Joaquina.
Em Julho de 1788 assumiu a pasta do Reino José de Seabra da Silva,
enquanto Luís Pinto de Sousa Coutinho, regressado de Londres, passou a
comandar os negócios estrangeiros.
O Príncipe Regente
Em 1792 o príncipe D. João assumiu o efectivo governo do reino (em 10 de
Fevereiro, um boletim médico confirmou que D. Maria I não podia mais
ocupar-se dos negócios públicos, devido à cresecnte debilidade
psíquica).
Seguiu-se novo governo, com o marquês de Ponte de Lima na Fazenda,
Martinho de Melo e Castro na Marinha e Ultramar; José de Seabra da Silva
no Reino; e Luís Pinto de Sousa nos Negócios Estrangeiros e Guerra.
Efeitos da Revolução Francesa
Em Setembro começava o regime de terror em França e em 21 de Janeiro de
1793 já Luís XVI era guilhotinado.
Seguiu-se a declaração de guerra de Portugal à França (Maio de 1793),
depois do mesmo ter sido feito pelos britânicos (em Fevereiro), bem como
as convenções de auxílio mútuo com a Espanha (15 de Julho) e Reino Unido
(26 de Setembro), enquanto partiu uma expedição portuguesa de seis mil
homens para a Catalunha (meados de Setembro).
Em 16 de Outubro deu-se a execução de Maria Antonieta. Nos começos do
Verão de 1795 terminou a campanha do Rossilhão, com a Espanha a assinar
com a França, já sem Robespierre, a Paz de Basileia (22 de Julho de
1795).Portugal ficou fora desse acordo.
Em 20 de Agosto chegaram a Lisboa os restos do exército do Rossilhão.
No dia 1 de Agosto de 1797, Rodrigo de Sousa Coutinho passou a assumir a
pasta da Marinha e do Ultramar e reforçaram-se os efectivos do exército
e da armada.
Nos começos de 1798 a França impõe a Portugal a quebra da aliança com os
britânicos e estes enviam-nos oficiais para o governo das fortalezas.
Em 30 de Maio um corsário francês ataca a Figueira da Foz. Em 1799,
quando D. João assume oficialmente a regência (15 de Julho), Seabra da
Silva é demitido, depois de aconselhar o regente a convocar as Cortes.
Portugal passou a ser o único aliado europeu dos britânicos e a Espanha
já começou a apresar navios portugueses.
Em 9 de Novembro desse ano Napoleão Bonaparte subiu ao poder (18 de
Brumário).
No ano de 1800 chegou a Madrid o novo embaixador francês, Luciano
Bonaparte, intensificando-se a acção anti-portuguesa.
A tensão entre o partido francês e o partido inglês
Nos começos do século XIX esta tradicional tensão foi superada pela luta
que se estabeleceu entre os pró-britânicos e os pró-franceses,
gravitando em torno dos embaixadores das duas potências em Lisboa.
Os franceses tinham o General Lannes, enviado de Napoleão, que aqui
permaneceu entre Maio de 1802 e Julho de 1804. Os britânicos
socorreram-se do embaixador Robert Gerald e de dois filhos do rei Jorge
III, os duques de Kent e de Sussex, então residentes em Lisboa.
Este último, que há-de ser grão-mestre da maçonaria britânica, residiu
em Lisboa entre 1801 e 1805. E a nossa capital transforma-se numa
espécie de campo de batalha onde as duas potências repartem influências,
desde a nomeação de governantes ao próprio controlo das forças armadas e
das polícias, manuseando, sobretudo, as lojas maçónicas disponíveis.
Em Julho de 1803, nas chamadas rixas de Campo de Ourique, por ocasião
das festas do Corpo de Deus, atingiu-se a dimensão do drama quando
fidalgos anti-pombalistas, apoiados pelos britânicos, tentaram um golpe
de Estado, havendo confrontos com os militares portugueses já apoiantes
dos franceses.
O confronto, no dia da procissão do Corpo de Deus, deu-se entre
elementos da polícia e soldados do regimento de Gomes Freire. Tudo
acontecia no ano do nascimento de António Bernardo da Costa Cabral e no
ano seguinte ao do infante D. Miguel. Segundo Silva Dias, havia na
altura uma ala de radicalismo aristocrático-político, liderada pelo
marquês de Alorna (1754-1813), pró-francesa, que chegou mesmo a assumir
uma aliança com um grupo pró-espanhol, liderado por D. Carlota Joaquina,
com o apoio dos agentes de Godoy, quando o governo de Madrid assumiu
atitudes pró-britânicas.
Esta conspiração dos fidalgos foi descoberta e contrariada por Tomás
António Vila Nova Portugal e por Rodrigo de Sousa Coutinho. Viveu-se um
momento dramático, com o governo português a não ter força para adoptar
a solução de neutralidade que nos convinha. De facto, o país não tem
capacidade económica nem militar para poder conjugar a solução
conveniente para os interesses portugueses. Se optasse por ceder aos
franceses, permitía que os flancos do império ficassem sujeitos à
política de corso dos britânicos, mas secundando estes, sería vítima da
política de expansão continental dos franceses a nível do território
europeu.
De qualquer maneira, reduzir estas tensões a uma luta messiânica entre
progressistas e reaccionários, falando nos estrangeirados pró-franceses
como os liberais vanguardistas que se opunham aos defensores do
absolutismo constitui uma visão deturpadora da realidade. Do mesmo modo,
se os identificarmos com o mero colaboracionismo, vendo nas respectivas
manobras um processo de traição à pátria. Nem sequer pode
perspectivar-se a Corte e o status governamental como um uniforme
molusco, adepto do ancien régime. Estáva-se numa era de viradeira
pós-pombalista, onde, para além das movimentações da política doméstica
vivía-se em plenas manobras da guerra fria franco-britânica.
Entre os pró-franceses, João Carlos de Bragança, o duque de Lafões,
fundador da Academia das Ciências, em 1779; João Francisco Correia da
Serra, o abade Correia da Serra (1756-1823), também membro activo da
fundação da Academia das Ciências, que esteve emigrado em França entre
1786 e 1791, data em que regressou a Lisboa, onde permaneceu até 1797;
José de Seabra da Silva (o delfim de Pombal, que assinou a Dedução
Cronológica de 1768, depois demitido em 1775, com prisão e desterro,
apenas regressando em 1777; foi ministro do reino em 1789); António
Araújo e Azevedo; o brigadeiro Francisco de Borja Garção Stockler
(secretário da Academia das Ciências). Entre os mais destacados
pró-britânicos. Luís Pinto de Sousa, o futuro visconde de Balsemão; o
marquês de Ponte de Lima; o conde de Galveias; e Rodrigo de Sousa
Coutinho, o futuro conde de Linhares (foi embaixador em Turim e, depois,
Ministro da Marinha em 1796-1801, continuando como ministro de D. João
no Brasil, entre 1807 e 1821).
Governo do Duque de Lafões
Em 1801, em nova remodelação governamental. O duque de Lafões assumiu as
funções de mordomo-mor e ministro assistente ao despacho (6 de Janeiro).
O conde da Anadia assumiu a marinha e ultramar. D. João de Almeida de
Melo e Castro, Lavradio, antigo embaixador em Londres, nos Negócios
Estrangeiros. José Maria de Sousa Botelho, o morgado de Mateus foi
nomeado embaixador em Madrid. Em 29 de Janeiro foi assinado um tratado
franco-espanhol, com um ultimato a Portugal. Em 27 de Fevereiro, já o
rei de Espanha, Carlos IV, pai de D. Carlota Joaquina, declarou guerra a
Portugal. O velho duque de Lafões, então com 82 anos de idade, foi
nomeado general-chefe. Em Maio, actos de guerra em Trás-os-Montes e
Alentejo, na chamada guerra das laranjas, com a tomada de Olivença pelos
espanhóis. Em 6 de Junho, fomos obrigados à assinatura de acordos de paz
com a Espanha e a França, onde cedíamos Olivença. Sousa Coutinho, o
negociador do tratado de paz com a França, de 29 de Setembro, recebeu o
prémio de visconde de Balsemão. No ano de 1802 deu-se uma acalmia na
Europa, quando Napoleão assinou com os britânicos a paz de Amiens. Entre
nós, iniciou-se a construção do Palácio da Ajuda e nasceu o infante D.
Miguel. Para França foi remetido como embaixador o morgado de Mateus e o
padre José Agostinho de Macedo foi nomeado pregador régio. Em 25 de
Março chegou a Lisboa general Lannes, novo embaixador francês. Em 1803,
ano dos motins de Campo de Ourique, Pina Manique foi afastado da
administração da Alfândega (14 de Março) e em Dezembro a França
impôs-nos o pagamento de uma gravosa indemnização, ao mesmo tempo que
exigiu a facilidade para entrada de mercadorias francesas no reino. D.
Diogo de Noronha, conde de Vila Verde assumiu a pasta do reino,
substituindo Luís Pinto de Sousa. Em 1804, no ano em que Napoleão foi
sagrado Imperador e emitiu o Código Civil, Lannes obrigou Portugal a
assinar uma convenção com Paris, onde foi reconhecida a nossa
neutralidade. António de Araújo e Azevedo, o conde da Barca, passou a
ministro dos estrangeiros. No ano de 1805 voltou a guerra, depois de em
11 de Abril ter sido formada a terceira coligação contra a França. Junot
foi enviado para Portugal como embaixador de Napoleão. Se os britânicos
venceram os franceses no combate de Trafalgar (21 de Outubro), os
exércitos de Napoleão derrotaram as forças austríacas e russas em
Austerlitz (2 de Dezembro). Em 1806 agravam-se as condições
internacionais. Em 16 de Maio os britânicos decretaram o bloqueio
marítimo aos franceses. Em 21 de Novembro, os franceses decertaram o
bloqueio continental aos britânicos. Portugal foi obrigado a ceder nos
dois casos. Mas não prendeu os britânicos estacionados em Portugal.
António de Araújo e Azevedo passou a acumular a pasta do reino e assumiu
as funções de ministro assistente ao despacho.
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Olivença publicou ás
05:40 PM
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